OS LUCROS REMETIDOS DESMANTELARAM A ECONOMIA MUNDIAL...
por Langstein de Almeida Amorim
À Tonito:
Vamos tomar como exemplo a situação da Basf na China. Essa empresa química é a maior do mundo nesse ramo. No princípio da década de 2000, tentou enfiar uma filial no mercado chinês e não conseguiu. Até o ano 2005, já estavam situadas no mercado chinês, a Dow Chemical americana, a maior empresa química japonesa e a maior da Inglaterra. Aí a Basf resolveu aceitar as regras chinesas,
instalando no território econômico chinês, uma matriz dominada pelos acionistas da Basf alemã.
A Basf não remete lucros para a matriz, mas distribui dividendos com seus sócios espalhados pela Europa. Os dividendos são depositados em yuan na conta bancária chinesa de cada acionista.
O vice-presidente da Diretoria Administrativa da matriz da Basf chinesa, senhor Martin Brudermuller, é um alemão, grande acionista da Basf alemã. Ele adora o ambiente chinês a ponto de se declarar chinês de coração.
O tempo provou que a criação de matrizes dominadas pelos acionistas da matriz originária, torna a todos muito mais ricos. A 2ª matriz no caso da chinesa, tem autonomia de reinvestimento dos lucros. O valor das ações cresce mais do que se fosse uma filial remetendo lucros para a matriz alemã.
A matriz chinesa da Basf já criou mais duas filiais na China. Seu faturamento ultrapassará o da matriz alemã até o ano 2020, avanço que só faz valorizar as ações dos sócios dominadores.
Para um grande acionista, deve ser confortador ser rico na China e na Alemanha.
O dinheiro não tem pátria. Em quantidade razoável, ele converte em boníssima, a qualidade de vida da pessoa em qualquer região do Planeta.
O lucro tem ligação umbilical com a massa salarial que o criou. Essa massa monetária é o atestado de que o lucro contém acumulado, trabalho humano passado. Remetido, o lucro perde sua vocação histórica para se converter em meios-de-produção. Em outro território econômico, ele não encontra brecha para se tornar investimento produtivo.
A empresa matriz só funda uma filial em outro país quando existe em seu caixa, excesso de dinheiro sem possibilidade de reinvestimento, por paralisia da demanda interna. Em decorrência desse fator econômico, o lucro remetido só encontra encaixe na especulação com papéis ou com imóveis.
Esses dois setores, afetos ao setor de serviço, foram insuficientes para absorver um rio Amazonas de lucros remetidos de todas as partes do mundo para os Estados Unidos, Alemanha e Japão, mais precisamente para o USA. A saída foi transformar os Estados com governos corruptíveis, em tomadores obrigatórios dessa massa imensa de lucros remetidos para as matrizes. Para que os governos corruptíveis não fugissem do compromisso, as Constituições desses países adotaram artigos com conteúdo idêntico ao artigo 164 da Constituição de 88. Por esse meio, os países tomadores de empréstimos lançaram no lixo da história, sua soberania econômica.
Veja-se que a dívida publica dos países devedores foi feita entre dois interessados, com o dinheiro de um terceiro, que não fala, não ouve, nem geme. Resultado: a dívida pública de qualquer país devedor incorpora em média 70% de corrupção.
A crise da economia mundial, que explodiu em 2008, decorre da cruel estratégia de terem endividado os Estados, impossibilitando-os de devolver ao setor produtivo, os recursos extraídos do preço das mercadorias.
Os Estados, até os Estados Unidos, não têm condições de quitar a dívida pública, fato que anuncia o agravamento da atual crise mundial. Quase todos os Estados devedores administram uma dívida pública maior do que seu próprio PIB anual. Fazer uma população inteira passar um ano sem gastar um centavo para quitar a dívida pública, engendrada por dois corruptos com o dinheiro de um terceiro, é totalmente impossível...
São poucos os países que não entraram nessa maracutaia: a China, Cuba, a Venezuela e os países escandinavos e mais alguns países de pouca importância econômica. O resta dos países estão segurando com as mãos trêmulas, um artefato nuclear de 10 megatons.
Os lucros remetidos aumentaram a miséria dos países de onde saíram e provocaram o desmantelamento da economia dos países receptores...
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