segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

DEPRESSÃO BR IMPOSSÍVEL DE SER RESOLVIDA PELO FUNDAMENTALISMO DE MERCADO DO NEOLIBERALISMO...
por Langstein de Almeida Amorim
Prezado Raphael Botta: 
A crise da economia Br é estrutural. Não é conjuntural como foram as crises de 1974, 1978, 1982, as dos planos Cruzado e Collor, a do real em 1998/99 e a de 2009. 
Essas crises todas foram provocadas pelo esgotamento episódico das reservas cambiais, necessárias à sustentação das violentas remessas de lucros com seus penduricalhos fraudulentos.
O ditador em 1964, publicou o Decreto-lei 4390, escancarando as remessas de lucros das filiais estrangeiras, à porcentagem máxima de 100%. O governo anterior, deposto pelos generais vitoriosos, só admitia o teto de 8% sobre o capital realmente investido. Se o capital investido fosse devolvido à matriz, cessava qualquer porcentagem de remessa de lucro. A filial ficaria distribuindo dividendos a seus acionistas em moeda nacional, que fariam dessa renda aquilo que melhor lhes aprouvesse...
Todo cuidado do governo deposto era carrear o saldo da balança comercial para o fortalecimento do modo de produção capitalista nacional. Essa meta foi alcançada. De 1930 a 1963, o capitalismo implantado por Getúlio Vargas, cresceu à taxa de 5,5%, mesmo que tenha sido forçado a enfrentar até 1939, os efeitos colaterais da Grande Depressão de 1929. Durante esse período de 33 anos, não houve uma só crise na economia Br, dominada pelo modo de produção capitalista soberano cuja soberania lhe foi concedida pelo Estado brasileiro.
Nesse período, a economia Br fabricava automóvel, caminhão e navio  com o minério extraído da Vale do Rio Doce e industrializado pela Siderúrgica Nacional de Volta Redonda.
Até 1963, a economia brasileira, dominada pelo modo de produção capitalista nacional, era mais desenvolvida do que a chinesa. 
O superávit da balança comercial teria sido extremamente importante para a evolução tecnológica do modo de produção capitalista nacional. É pela porta da balança comercial que entra a poupança externa, indispensável à importação de máquinas e equipamentos não fabricados no território econômico do Brasil.
De 1964 até o corrente ano de 2016, todo superávit da balança comercial Br foi bombeado para engrossar a caudal das remessas de lucros, juntamente com os dólares do investimento direto estrangeiro e com os dólares das aplicações especulativas em títulos da dívida pública. 
Pelo que foi exposto acima, entende-se que três tubulações carreavam dólares para sustentação das remessas de lucros das filiais estrangeiras, com matrizes sediadas em vários países.
A tubulação que sugava dólares das aplicações estrangeiras em títulos da dívida pública, para empurrá-los para a caudal das remessas de lucros, tornou-se inútil. Por essa tubulação atualmente só passa a ventania má da depressão da econômica interna. A dívida pública tornou-se impagável, conforme sinalizaram as Agências de Risco internacionais, através de suas notas de rebaixamento.
A tubulação que hauria os dólares do (IDE), investimento direto estrangeiro, para transportá-los até a caudal das remessas de lucros, estão sem nenhuma serventia por inexistência de divisas estrangeiras. 
A tubulação que drenava os dólares do superávit da balança comercial para o mar de dólares das remessas de lucros, está selada e sem utilidade. Os dólares de seu superávit dão muito mal para os custeios dos compromissos internacionais do governo.
O modo de produção de remessa de lucros, criado com a publicação do Decreto ditatorial de nº 4390, está totalmente esgotado. Em decorrência dessa conclusão, as filiais estrangeiras reduziram drasticamente sua produção e elevaram muito acima da inflação de 10%, os preços de seus produtos. Elas estão cartelizadas desde a ditadura-militar, para ditar  os preços mais convenientes ao abocanhamento do maior pedaço da massa salarial de consumo.
Esse esgotamento do modelo remessa de lucros é irrecuperável, evidentemente porque depende de fatores externos fora do alcance da vontade política do governo.
Os juros estratosféricos cobrados das micros, pequenas e médias empresas, que adotavam o submisso e raquítico capitalismo brasileiro, arrastaram milhares delas à quebradeira.
Os juros de cangaceiro em fuga, tornaram insolventes 58 milhões de brasileiros.
A depressão econômica brasileira perdurará o tempo em que permanecerem atuantes as duas grandes sangrias do sistema econômico brasileiro: remessão de lucros e juros confiscantes, que subtraíram bilhões e mais bilhões de reais da produção e do consumo para os cofres dos banqueiros após a conversão cambial.
De todos os países em crise econômica, a crise do Brasil é a mais profunda, a mais severa e de solução impossível pelos atuais ditames do neoliberalismo, introduzidos pelos generais quando dominaram o Estado brasileiro, a serviço sujo de potência estrangeira...    

Nenhum comentário:

Postar um comentário