MINHA MÃE DIZIA AOS FILHOS...
por Langstein de Almeida Amorim
A fé no sobrenatural decorre de um arquivo introduzido no cérebro da criança entre 4 e 6 anos de idade. Se uma criança é criada num ambiente em que a fé inoculada é em sua própria força de vontade, ela será agnóstica, só crerá no ente que puder ser tocado, ou ser comprovado pela ciência.
Minha mãe dizia aos filhos:
- Creiam na força de vontade mobilizada pela energia cerebral de cada um de vocês. Não combatam o Deus das pessoas que precisam dessa entidade metafísica para curar suas dores morais.
Os quatro primeiros filhos de 7, sussurraram em uníssono:
- Tá certo, mãe!
Com a mão sobre a cabeça de um dos 4 filhos, ela pregava:
- Essa cabecinha que levou bilhões de anos para pensar, será a solução de todos os problemas que vocês vão enfrentar em sociedade. É só usar a força de vontade para inocular nesse poronguinho de ouro, o saber indispensável ao exercício vitorioso da profissão.
Enquanto servia o lanche de pão com doce de goiaba e queijo de coalho, mamãe ia lecionando:
- Não falem mal das religiões. Elas são socialmente necessárias para socorrer as pessoas vitimadas por dor moral profunda, expressa na perda de um filho, de um ente querido, de um bom amigo...
- E é assim, mãe! - exclamou um dos 4 prelecionados.
- As religiões - prossegui mamãe -, além de oferecer a salvação da alma, ainda desempenham uma função nobre da maior importância. A "missa de corpo presente" rezada pela Igreja Católica e a "recomendação do corpo'", pelos outras religiões, diferenciam a morte do ser humano da morte de um animal.
- Como assim, mãe! - indagou uma das meninas.
- Nós, seres racionais, não aceitamos dispensar o ato social de "recomendação do corpo" de nosso ente querido... - reafirmou mamãe.
Com os olhos negros brilhantes, num rosto de mulher excessivamente bonita, ela advertia:
- Não discutam com ninguém sobre a existência ou não de um Deus, e muito menos sobre a qualidade das religiões. Esse assunto é apaixonante e fanatizante. Milhões já se mataram reciprocamente, pelejando para provar o improvável - encerrou a preleção, com os 4 filhos abraçados a suas pernas.
Esses dizeres de mamãe, seus sete filhos cumprem-nos à risca...
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